Destaque no Substantivo Plural

Por Janaína Holanda/Jornalista

Poeta lança seu livro de estreia no próximo dia 14 de abril em Mossoró
“José de Paiva Rebouças é um poeta dos seres humanos e das palavras. Para ele, o homem somente se concretiza na verbalização. Sem a palavra não há homem, pois o dizer é condição para existir”. É assim que o linguista José Roberto Alves Barbosa define o escritor em seu livro de estreia na poesia que leva o sugestivo nome de “Catálogo Maçante das Coisas Comuns”. Poeta desde que se assumiu na literatura, Paiva, como gosta de ser chamado, começou publicando prosa com a coletânea de contos “Cruviana” e o livro de crônicas “Da Amizade Sincera de um Urubu”.
Em 2013, venceu o XII Prêmio Nacional da Livraria Asabeça, promovido pela editora Scortecci (SP). O Catálogo ficou pronto em 2014, mas só agora ele disse ter decidido lançar. “Lançamento de livro ainda é uma coisa que requer muito esforço para nós autores iniciantes”, explicou, destacando o convite que recebeu do Real Botequim para este momento. “Achei interessante o convite porque os botequins combinam com poesia”, completou o poeta convidando todos para o lançamento do livro que acontece às 19h do dia 14 de abril no Real Botequim/Mossoró.
O homem é objeto central da poesia de José de Paiva. Neste primeiro trabalho, o caminho percorrido pelo poeta versa sobre o homem e a palavra, como bem condensado na citação do professor José Roberto. No poema Dezoito, esta relação ganha destaque: “os humanos nascem livres/menos os escravos das palavras/que vivem para palavrear/e para lavrar a palavra”. No poema Treze ele diz que “todo homem livre é uma parede/mas nenhuma parede é um homem”, dando novamente enfoque à flexibilização do existir ante ao engessamento dos atos.
Todos os poemas do Catálogo Maçante são intitulados com números, como nos citados acima. É como se o poeta tivesse escrito um único poema o livro inteiro. Talvez por isso, a referência do escritor Walther Moreira Santos, um dos mais premiados do Brasil. Para ele, “a lucidez e a verticalização da poética de José de Paiva Rebouças nos atinge com um tiro”.
O escritor cearense Pedro Salgueiro, chama a atenção para o diálogo do autor com os personagens que permeiam o seu livro: Antônio de Zé de Chico, um agricultor negro da Chapada do Apodi; o poeta cearense/potiguar Raimundo Leontino Filho e o artista plástico potiguar Anchieta Rolim. “Em várias “camadas” implícitas do livro se escondem vastos significados, que podem ser visualizados (ou apenas intuídos) pelos leitores mais atentos e, por que não, também talentosos como o poeta”, disse Pedro Salgueiro.
Triologia
De acordo com José de Paiva Rebouças, o Catálogo Maçante das Coisas Comuns abre o que ele chama de “trilogia do homem, segundo o corpo”. Uma experiência linguística e sensorial que trabalha as percepções humanas em três estágios: o homem e a palavra, discutida neste primeiro livro; o homem e a cidade, trabalhado no segundo livro: “Ópera anti-instrumental ao vazio homérico da cidade”, vencedor do Rota Batida de Literatura 2014, em processo de edição; e um terceiro trabalho que está em estágio de concepção e que vai tratar sobre o homem enquanto elemento biológico, o mundo e sua criação.
Essa perspectiva mostra um poeta em ebulição, dentro de um estágio criativo inicial que não se encerra no fechamento de um livro ou no pensamento da trilogia, mas no processo de produção. É o devir que torna este um poeta inquieto para transformar as palavras em sensações apesar do papel.

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